
Homossexualmente falando, todo o desfile foi um grande e fétido fracasso. Primeiro: a estampa do vestido bleu da modelo afro-descendente, Juliana Cócoras, é uma piada de mau gosto, muito mau gosto – referindo-se ao desenho de um esqueleto sentado num pincel manchado de vermelho com um balãozinho, onde se lê, em verdana, This is it!. Sabemos que eticamente os esqueletos não devem ser usados nas passarelas; estamos falando de moda, de modelos magérrimas, e não queremos trazer o problema da anorexia à tona; sabemos que ele existe, mas que se resolve com um tratamento psicológico sério e alguns bons tapinhas na bunda, e não é de responsabilidade de nenhum estilista homossexual esse tipo de discussão. Outra coisa: a opção de substituir os acessórios por melancias me parece falha uma vez que o tema era o candomblé aplicado a Derrida e, que eu me lembre, Derrida nunca mencionou melancias em seus trabalhos (Ctrl F pra quem duvida), acho, inclusive, que Derrida não sabia nem como descascar uma melancia, ou como fazer conta de cabeça usando melancias no lugar de números, ou sequer o que era uma melancia.O vestido capilar usado por Patrícia Poeta é lindo, bem acabado, com movimento, mas não precisaria daquela abertura na altura do útero. Revendo as imagens da modelo no site, percebemos o quanto ela estava desconfortável com o útero à mostra, e eu não sei que tipo de mulher gostaria de usar um vestido para não se sentir confortável nele. Eu não canso de falar aos meus alunos da Univitelinos o quanto é importante pensarmos nas mulheres antes de sairmos rabiscando qualquer coisa no papel. Homossexualmente falando, isso é um grande descaso com elas. O estilista, mais do que ninguém, tem de se posicionar no lugar de uma mulher, coisa que qualquer bom homossexual de rua, de sauna, ou de dentro de um copo, sabe muito bem como fazer e, como eu sempre digo – e algumas vezes arroto – o homossexual precisa usar a alma feminina que Deus lhe deu e tirar proveito disso. Repita. O homossexual precisa usar a alma feminina que Deus lhe deu e tirar proveito disso.
Não estou aqui julgando os outros trabalhos de Leni Maxwell Salvador, grande ícone da moda dos anos 90, mas seu desfile neste ano foi um grande e fétido fracasso. Um estilista que não se propõe a pensar nas necessidades do seu público está para um michê com ejaculação precoce ou uma Débora Colker que tenha varizes. Se Salvador quer agradar a crítica especializada, que não agrida as mulheres, que considere um pouco mais o que sua mãe diria.




































